Moda íntima 2027: renda, conforto e peças que começam a sair do quarto
Da delicadeza das rendas ao conforto dos tecidos leves, a lingerie começa a ocupar novos espaços no guarda-roupa.
Durante muito tempo, a roupa íntima foi pensada para ficar escondida. Sua principal função estava no ajuste, no conforto e naquilo que acontecia por baixo da roupa.
Mas esse limite está ficando menos definido.
Nas coleções primavera/verão 2027 apresentadas recentemente, sutiãs, corsets, rendas, transparências e peças inspiradas no universo da lingerie aparecem incorporados aos próprios looks. Na Semana de Moda de Londres, por exemplo, sutiãs bordados, corsets de renda e elementos inspirados na lingerie ganharam espaço sobre ou junto às roupas.
Ao mesmo tempo, o mercado de moda íntima continua olhando para outra necessidade muito mais cotidiana: sentir-se bem dentro da própria roupa.
É justamente nesse encontro entre estética e conforto que começam a surgir alguns caminhos interessantes para 2027.
Renda e transparência ganham uma nova liberdade
A renda não parece estar desaparecendo. Pelo contrário: ela aparece associada a uma leitura mais leve, romântica e, em alguns casos, mais visível.
Em Londres, rendas, tules e tecidos translúcidos apareceram em diferentes coleções, algumas vezes revelando a lingerie e outras apenas sugerindo o que estava por baixo.
Não é necessariamente uma questão de mostrar mais. É uma mudança na maneira de construir o look.
Uma alça, uma borda de renda ou a textura de um sutiã podem deixar de ser detalhes escondidos e passar a participar da composição.
Para a lingerie propriamente dita, isso abre espaço para conjuntos que valorizam justamente aquilo que antes precisava ficar invisível: renda, textura, acabamento e desenho da peça.
O modelo combina top triangular, bojo removível, alças finas duplas e renda com uma calcinha string de regulagem. É um exemplo interessante dessa direção porque a peça não depende apenas da modelagem: a textura e os detalhes fazem parte da estética.
O conforto continua sendo parte da tendência
Existe, porém, um outro lado dessa transformação que talvez seja ainda mais importante.
A lingerie de 2027 não precisa escolher entre beleza e conforto.
Estudos e análises recentes do setor apontam para uma combinação cada vez maior entre tecidos leves, elasticidade, respirabilidade, ajuste ao corpo e uma aparência mais cuidadosa. Uma leitura específica das tendências SS27 para lingerie destaca justamente construções leves, efeito de segunda pele, transparência e conforto para diferentes momentos do dia.
No Brasil, o Sebrae também identifica conforto, funcionalidade, inclusão, bem-estar e materiais como elementos importantes para as transformações atuais do mercado de moda íntima.
É uma mudança interessante porque transforma o básico em algo menos banal.
Uma boa calcinha de microfibra ou algodão pode não chamar tanta atenção quanto uma peça de renda, mas é justamente esse tipo de peça que sustenta o guarda-roupa íntimo.
Com modelagem sem costura, cós duplo, fundo de algodão e tecido com elasticidade, ela representa esse outro caminho da lingerie: aquela peça que não precisa ser ostensiva para ser interessante.
É a lingerie pensada para acompanhar o corpo, e não apenas para aparecer.
Quando o pijama começa a conversar com a moda
Talvez seja aqui que a transformação fique mais interessante.
O universo do sleepwear também está se aproximando cada vez mais da moda. O novo editorial Entre Gestos 27/28, da Zanotti, coloca lado a lado moda íntima e sleepwear e destaca camisolas, sleepdresses, sutiãs, rendas, bordados, babados e camadas leves.
Nas passarelas internacionais, essa aproximação também aparece de maneira bastante clara. A coleção primavera/verão 2027 de Yuhan Wang, por exemplo, explorou referências de boudoir, camisoles, slips e camisolas de renda, transformando elementos tradicionalmente associados ao quarto em parte da narrativa da coleção.
Isso não significa que o pijama precise virar roupa de rua.
Mas mostra que a estética do sleepwear está influenciando a maneira como pensamos roupas confortáveis, delicadas e femininas.
E talvez seja justamente por isso que tecidos fluidos, cetim, renda, camisolas e conjuntos coordenados continuem despertando interesse.
A ideia é mostrar que a roupa íntima não termina na lingerie: existe todo um universo de peças para dormir, relaxar e permanecer em casa que também está ganhando atenção estética.
E o masculino?
Embora a maior parte das referências de moda íntima de 2027 esteja explorando rendas, transparências e sleepwear feminino, o movimento em direção ao conforto não é exclusivamente feminino.
Na roupa íntima masculina, tecidos leves, algodão, elasticidade e modelagens anatômicas continuam sendo elementos importantes para o uso diário.
Por isso, vale olhar também para peças como a cueca slip da HOPE Underwear, que selecionamos para o Pinterest: uma proposta mais essencial, com algodão, elastano, laterais mais largas e construção voltada ao conforto.
É outro lado da mesma conversa.
A lingerie de 2027 não precisa seguir uma única direção
Talvez essa seja a parte mais interessante de observar.
De um lado, aparecem rendas, transparências, bordados e referências românticas. De outro, cresce a atenção para microfibra, algodão, elasticidade, leveza e conforto.
E entre os dois está o sleepwear, aproximando o que usamos para dormir daquilo que entendemos como moda.
Não parece existir uma única regra para a roupa íntima que vem pela frente.
Há espaço para a peça delicada, para a básica, para a sensual, para a confortável e para aquela que mistura tudo isso.
Mais do que uma mudança radical, o que começa a aparecer nas coleções de 2027 é uma lingerie com mais liberdade para participar da vida real.
E talvez seja justamente isso que torne essas peças tão interessantes agora.
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